Ludmila

Habitante de Kherson, Ludmila vive ainda

entre as paredes de sua casa

e as águas imensas que cobrem tudo.

O relógio antigo da sala diz as horas. 


Ela não tem asas. Da janela observa o céu 

os ruídos e os soldados ao redor.

Andam de lancha na cidade inundada.

Ficção? Certamente, não. 


A guerra entre Rússia e Ucrânia ultrapassa

e ganha tons alarmantes de folie, loucura,

insanidade completa.


O ritmo do poema desperto não assusta.

Alguns versos correm e outros atônitos 

                                   (param no caminho).




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