Piove, piove... em Verona

A ópera Aida de Giuseppe Verdi está sendo encenada em Verona, Itália, nesta noite. Comemora-se a centésima apresentação de Aida.

A arena lotada aguarda os chuviscos passarem. No meio do público se encontra Sofia Loren já bem idosa e acompanhada de um de seus filhos. É aplaudida por todos quando entra pelo tapete vermelho para ocupar o seu lugar na plateia.

É impressionante o início desta noite com o hino italiano cantado por todos de pé junto ao coro da Ópera. 

Lembro que meu pai José Rebuzzi esteve nesta arena, quase no início do século XXI,  acompanhado dos dois netos mais velhos para assistir este espetáculo. Outro tempo de mundo. Era julho de 2000.

Começa a encenação transmitida pela Rai.

A orquestra toca a primeira parte desta impressionante ópera. Cenário contemporâneo; rostos de maquiagem branca, roupas de cor distinguem os personagens: sacerdotes, rei, rainha, faraó e escravos. A voz dos atores abre o espaço desta "casa" de magnífica acústica. 

Viva!

*

Radamès canta:

"Celeste Aida, forma divina

(...)

ergerti un trono vicino al sol."

(...)


Observação:

No início do século XX, quando foi encenada pela primeira vez em Verona, na plateia estava Franz Kafka. Era o ano de 1913. E foi Kafka que declarou viver na escrita " uma forma de oração ".

*

Anoto no final do primeiro ato:

"Immenso Fthà!"

(Na referência a um deus do Egito)


Segundo ato: e o palco se enche de cor vermelha e laranja. Crianças dançam.

"Ah, vieni!"


Traduzo livremente :

Pobre Aida...

Compartilho contigo a dor.


Mas na vida os males têm um fim.

...

Radamès vive!

Tenha piedade de minha dor.

"Pietà. 

Numi, pietà!"

...

Que beleza!


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