Um soneto andando
A noite cresce e se ergue problemática.
Distraída, leio poemas no Alto Leblon.
Felizmente não fico no frio asmática.
Mas vejo o bairro andando meio de lado.
Cheio de bêbados nas esquinas
todos bebem cada vez mais.
Até mesmo as meninas.
Elas cavalgam bicicletas entre seus pares
olhando estrelas e areias
nas avenidas à beira mar:
os jovens deste tempo desejam amar.
Enquanto se entregam à bebedeira
dançam nas madrugadas até cansar
e repetem refrão antigo: 'deixa a vida me levar'...
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