Se a vida

Se a vida pode ser narrada devagar, pode ser deglutida bem depressa ou pode se reinventada, também, pode ser um vir a ser, uma via de mais de um trilha onde o viajante, qualquer um, siga e persiga sua história gostando de contá-la e escrevê-la em pequenos goles. Conforme os dias crescem, e se alvoroçam entre as sutilezas necessárias que nos acomodam os ossos e os pensamentos, as mãos costuram retratos e os quadros mudam de lugar. Se a vida guarda instantes de fuga e de desejos ardentes demais, também, suporta os pés que caminham entre as marés e os luares das idades já bem longe, e das praias onde os corpos quentes mergulhavam em águas limpas de sonhos e mais sonhos sonhados a dois.  


Rio, inverno de 2023

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