Poesia inquieta

 Esta voz que sobe alto de repente e diz tão pouco

Bem podia aquietar-se por bons e longos instantes


A luz do dia canta uma canção de primavera

E sopra nos olhos do mundo um outro despertar


Somos raízes de córregos que querem novos ventos

enquanto as mãos e os pés suportam o peso do horror


Sem praia visível por enquanto sem sinal de calmaria

os temporais varrem quase tudo e o corpo vivo resiste


As tardes quentes avançam na direção de outras primaveras

Correm versos e letras nem sempre costurados


São telas e cenas rabiscadas de cores

que nos contam de momentos loucos de noites insanas


Dos dias e minutos povoados de lama

no meio da vida no meio da morte onde tudo clama: misericórdia!


Livro das marés, p.122



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