Hoje é domingo

Escrevi estas muitas notas encaloradas, durante um período de tempo não tão curto quanto gostaria,  padecendo de covid 19. Um tempo que nos obrigou ao recolhimento, pois o isolamento se fez necessário e os cuidados com o corpo e a mente pediam urgência. 

Durante mais de uma semana, arrumei e rearrumei os objetos em novos espaços. Poeticamente, construí textos que partiram sem deixar rastro. Dormi e acordei em tempos diversos do dia e da noite. Bebi água e agradeci ter água para beber à vontade.

Observei detalhes em algumas telas que se espalham coloridas pelas paredes: Jose de Dome, Heitor dos Prazeres, Carlos Leite, Martha Barros e Patricia Sada. Reconfigurei histórias de algumas amizades antigas com as artistas plásticas Daisy Xavier (década de 80), Lena Bernstein (década de 90) & Teresa Coelho César (algumas décadas) em jantares onde brindamos à vida. Todas elas vestem as paredes desta casa! Sem esquecer, claro, a pintura do poeta José Paulo Moreira da Fonseca com suas portas se que abrem ao mar, pois uma delas flutua em minha mesa de cabeceira. 

A nossa escultura do Buda continua andando. E foi parar perto da porta de entrada sobre livros no chão. Concluo que os objetos saltam espaços. Especialmente, em momentos onde estou funcionando em ritmo tartaruga, sem conseguir mudar nada no mundo. 

Reencontrei a colagem que me foi presenteada em 93 pelo psicanalista Ivan Ribeiro, e decidi emoldurá-la. Ficará em destaque. Em movimento ainda, as duas telas Romanelli mudam de cenário. 

Hoje não é sábado e há geleia sobre a mesa do café da manhã e as plantas respiram com mais facilidade. Será?! O calor continua insuportável. E apoio todos os momentos das manifestações da Greta no mundo europeu!

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