Alma de poesia (2)
E as crianças palestinas partem. Inesperadamente.
Partem como se fossem folhas de papel ao chão. Almas leves. Olhos marrons perdidos.
Olhar o mar. Procurar o pão. Viver sem água e sem escola. Perguntar aos pais o que vamos comer hoje. Deitar no pó das paredes da casa destruída. Quase não falar. Quase não andar.
E partem as crianças palestinas de repente demais em Gaza. De forma violenta deixam a vida os palestinos de todas as idades.
Saem da vida despidos de esperança.
Ou não regressam à infância nem à pátria.
Estão obrigados a desistir de tudo.
Alguns adultos devem procurar a subsistência.
E as luzes brilham longe
E gritam as paixões
A busca obstinada
Os braços morenos
estendidos ao alto
Mais de mil luzes no céu
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