Domingo de poesia

 Dia a dia


Nos vidros da janela na sala

reflexos e sombras alcançam 

plantas, violetas em vasos de barro

ali, espalhadas por nossas mãos. 


Já não penso no verão. 

Só o outono me alimenta

em suas cores inquietas

e um crepúsculo solar dourado.


Quando o inverno chegar

árvores secas estarão por perto:

natureza mais selvagem.


Nem tudo perdi da infância 

nas pedras molhadas de sal e vento.


Relembro muito das enormes noites

                                      da adolescência entre

a escrivaninha que dividi com minha irmã 

anotando números e letras

e o diário vívido de sonhos.


Em mim guardo a esperança 

dentro e fora do corpo

                                        onde habitam vozes

gestos árvores. 

E aonde a aurora, o vento e o mar

nos abraçam. 



Rio, outono de descobertas de 2024.




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