Poema da brisa

O tempo tinha sempre uma hora para

nascer. Nascer pouco a pouco. E marcando 

a memória com nomes, árvores e rios

logo cedo de azul abriu as portas do céu. 

Um branco tênue manchou o azul.

Alguns pássaros soaram seus cantos.

As portas surgiram perto das pedras.

Os pequeninos insetos mostraram a face.

O vento e a chuva chegaram ligeiro. 

Cavalos cruzaram os pastos. 

E os peixes de todos os tamanhos 

sublinharam de vida os mares. 

Os homens vieram mais tarde

 apressados. Algumas mulheres de ventre

 cheios de vida e outras com as mãos fortes

 guardavam a voz dos ancestrais.


A brisa quando soprou deixou traços

segredos e preces.





Rio de esperança,  2024

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