Mais um sábado
E acreditamos ser possível. Importa o que há entorno. Renovando nossos votos depois de mais de trinta anos unidos, um céu grande nos encobre. Contamos os dias e os meses.
Nem todos os países celebram o Dia de Reis, e nos casamos na véspera.
Ele era mais jovem. Éramos jovens.
Um céu grande nos cobria.
A vida prossegue em ciclos. Ciclos de sete anos? Areias varridas de vento abrem-se poesia.
Estrelas guia. Vagas auroras.
E importa o amor
com as mãos atadas ao sol.
Os dias saindo de dentro das noites,
as pupilas desenhando curvas e laços,
enquanto a memória sempre presente
guarda aves e campos de um futuro
onde o medo é ausente.
Canções ainda a cantar com vontade.
Murmúrios, ossos e lamentos. Uma flor nos cabelos e névoas no ar.
Os pés descalços andando.
.
*
Ainda é sábado
O lápis e o papel
Um escrita que escreve
Os nervos, as mãos
Sílabas que resistem
Intensos sinais
Os lábios fechados
Um susto
Ou uma agonia
Os seios em destaque
Árvores desnudadas
Os seios irmãos
A curva sólida solidão
Este branco único formato
Presença feminina viva
Escreve-se em ramos e folhagens
Os meus seios pertencem ao amor
Às nuvens nuas de nuances
Aos ombros sacudidos na dança
Para viver somente na escrita
Ou no azul flutuando em segredos
Rio de julho feminino de esperanças, 2024.
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