Poema dos inícios

Pescoço alongado e nuca coberta 

de cabelos brancos.

Gestos acompanham passos: bem lentos.

Na boca o batom passeia rosa.


Uma saia florida alarga o

horizonte e deixa o caminho mais 

leve. O relógio não se impõe lá 

longe no cenário natural.


Céu claro de nuvens sombrias

anunciando a mudança de tom.

Final do dia refrescante maré 

contrariando o calor de verão. 


- É hora de voltar pra casa?

Lâminas finas de água e vento

ameaçando o poema 

acontecem e correm ao lado.


A pressa se impõe. 

Pés molhados pintam letras.

Enquanto o perfume 

da terra invade quase tudo.


Na janela, uma mulher idosa

observa. Olhar vago.

Olhares alados se cruzam.

Sem rimas os versos ardem.


E apressados os pés 

brindam um banho

quente ao chegar em casa. 

As sombras partem.




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