Cortinas na tarde
Abertas respiram perto da porta
as cortinas de linho branco.
Sustentam um final de dia.
Em ângulo oblíquo raios de luz
fogem de acordo com o corpo que cai.
Confundem-se vozes e música.
Ainda buscando os sonhos
de versos e povos vivos,
de gente que consegue dormir,
sento-me perto da orquídea lilás
e em vão procuro os mais distantes dias,
quando portas e janelas abertas
sonhavam sem medo.
E deitávamos tranquilos
nos sonhos da tarde.
Rio de primavera, 2023.
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