Poesia cinza
Primavera de pingos.
Ligeiros respingos.
Pequenas poças d'água.
Calçadas alvoroçando os pés.
Acredito na chuva nos cabelos.
Acredito nas noites de insônia em castelos.
Não suporto as guerras.
A página de versos livres
diante do orvalho do mar.
Janelas vazias.
E o vento que sussurra.
A terra, sim, me bastaria
se não fossem as nuvens
tão cheias de fragilidades.
Rio de novembro, 2024
*
Um olhar distanciado.
E perto, bem perto
as carícias.
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