"Não podemos mudar a realidade", repito:
Nos momentos criativos de minha vida leio e releio o mundo. Às vezes me sinto tão separada do mundo, e, fecho os olhos e só vejo o que desejo ver. Lembro da infância e da adolescência com as primeiras descobertas felizes. Eu gostava de comer caju, no entanto a castanha podia queimar meus lábios. Gostava de subir em árvores e gostava das ondas do mar. Possuía algumas bonecas, e tive até bonecas de pano. Brincava de fazer roupinhas e de costurar. Detalhes, detalhes pequenos demais, repito.
Encaro a realidade de agora e não gosto do que vejo. Vou chegando na nomeada velhice com olhos críticos. Escrevo o mundo que me rodeia, e leio a vida dos países com um interesse onde a mente grita. Dentro de mim a voz que soa é calma e escuto os pássaros todas as manhãs. Porém, a voz que sopra alto em vários países do mundo não tem paz. Minhas mãos escrevem o que os dedos pedem. E me assusto com alguns homens que vivem seus "demônios" diariamente, e nem se dão conta.
Os sonhos são invisíveis mas os risos não! As máscaras caem, conforme sabemos. Enquanto a escrita de maneira surpreendente abre novos caminhos e cores e texturas, a vida se configura em nossos espíritos guerreiros, delicados, humanistas. Com persistência e escutando muito e vendo mais ainda sigo a trilha possível. Um livro e outro, e mais um... e mais um a caminho...
O calor do corpo é bom. As luzes da manhã mostram os traços do rosto sem máscara. Quantas perguntas cabem dentro da dança da vida? Por quê os homens estão deixando a gentileza desaparecer?
(Talvez, por isso eu tenha escrito Assis de Francisco/Francisco de Assis.)
Outros livros compõem a minha história tão cheia de perguntas.
Rio de janeiro cheio de memórias, 2025
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