Na janela ausente
Sombras da noite.
A mão insiste
de forma ausente.
Olhares alados.
A mão resiste
a palavras inúteis.
A mão traça sinais vitais.
Luzes dependuradas no céu.
Neste instante
a lua vibra longe.
*
Em torno
Escrevo este verão
incandescente.
Verão escaldante.
E vivo o que eu escrevo.
É o corpo que grita.
*
Abrindo espaços na página
Quem escuta?
Avanço ou fico fixada?
Direi sempre o que penso.
Muito. Nada,
e a falta presente insistente
não sublinha alienações.
Rio, fevereiro de 2025
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