Diário de julho


Passarinhos bicam frutos amarelos no mamoeiro que pedi para o jardineiro plantar no quintal. Assisto a cena da janela da natureza.

Arrumações diárias com livros novos andam das mãos às estantes e voltam para perto de mim. Detalhar momentos raros. 

Vivenciar o que se estabelece ao olhar. Detalhar e vivenciar a pressa deixada de lado.


Desde bem pequena aprendi a observar lagartas - borboletas, cigarras.

Peludas ou não. Multicores.

Asas negras rendadas.

Um mundo de fantasia nada banal.

Um exercício intelectual se desmanchando

entre as páginas abertas ao acaso.

E cores nadam na memória.

À la Proust saboreio:

casacos e canjicas

no frio carioca.



Rio de inverno, 2025


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