Ainda sobre Régis Bonvicino
Recebi por um bom tempo
um ou outro poema de Régis.
Sempre um inédito.
Chegava sem aviso prévio.
Eu não os comentava. Agradecia.
Às vezes deixava para ler depois.
Versos violentos. Versos duros.
Vocábulos catados à margem da vida.
Régis falava sobre tudo.
No telefone ou por WhatsApp
conversávamos.
Ouvia-se ruídos: o cigarro sendo tragado.
Era parte da expressão.
Pingava uma crítica aqui e outra ali,
aliás pingava de tudo:
rotinas, viagens, governos perigosos
& decepções.
Já faz quase um mês
que ele partiu de repente.
Carregava no 'bolso do celular'
uma resenha recém-feita
e encomendada
de meu Livro da Rainha.
Espero possa entregá-la
às nuvens altas do céu de anil.
Rio de agosto, 2025
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