O mar entre ventos

Minhas pálpebras acordam famintas

O mundo se destrói sem memórias 

Entre as paredes e as janelas soam

Pássaros rápidos 


Um mínimo gesto 

E o absurdo do dia

Enquanto a manhã de sílabas 

E notícias loucas faz volume


Passeio as mãos nas superfícies 

De obras de arte 

O mar perto de mim 

Entre ventos murmura


Perfumes e pedras

Fragmentos obscuros

Passos no chão de areia

Somos mãos e pulsos abertos


Corpos correndo ágeis 

Somos vida iluminada de sol

A casa é verde, azul e branca

Sustentada de palavras e plantas


Algumas flores respiram

O ar e a língua 

Versos sobre os ombros

Sopram sombras no horizonte

*


A mesa nobre 

Contempla um bolo de laranja 

Entre árvores e ventos

O corpo acorda cedo

*


Escrevo   escrevo

A boca pede água pura

Água de rio do Amazonas 

Água de montanhas azuis 


Água verde do mar 

De mar cearense

A boca sem saliva

Escreve a água da chuva



Rio de hoje, 2025

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