Diário: 16.09.2025

 Leio os escritos de Virginia W. e me divirto. Nunca me chateio. Anoto frases a lápis nas margens do livro dialogando com ela, algumas vezes.

Observo a vida passando muito rápido. Depois dos 60 anos a vida ganhou austeridade. E depois dos setenta ganhou um ar majestoso. Faço projetos de maneira distinta agora. Menos viagens e mais pé no chão! As viagens já inúmeras pela Itália, inicialmente com minha mãe, me deixaram um gosto muito bom. A Úmbria, a Lombardia e o Vêneto revisitados com José fazem parte deste meu mundo, onde a arte é presença diária.

Fiz sonhos de comprar uma casa de campo na década passada. Mas, não penso mais nisso. Uma casa dá muito trabalho. Imagine mais de uma. Assim, que mudo os móveis de lugar de vez em quando, e invento lugares novos para os livros e os quadros, e permaneço alegre o suficiente. 

Nossa coleção sacra ganha ares de coleção mesmo; cuzquenhos de molduras muito antigas e nobres nos rodeiam e os santos são dignos de antiquários. Os cuzquenhos são nossos afrescos. Passear pela casa é um acontecimento, como me disse uma amiga recentemente. Uma sensação nova pode bem espalhar-se pelas paredes da casa. Afinal, hoje aguardo a chegada de um biombo; um biombo verde.

E escrevo a primavera começando a acontecer nestes respingos  leves de chuva, enquanto pinto cores nas telas que me olham entre os chocolates recém-chegados do Amazonas; Cacau Selvagem da Amazônia. Uau!



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