Domingo de temporal
Sinto a umidade dos pingos descendo do céu. A luz da tarde ainda acontece. Um certo silêncio vive entre sons diversos: chutes na bola que gira no play e grilos falantes.
O final da tarde de domingo se estica entre meus pés. Escrevi a vida em pequenos fragmentos. Escrevi na manhã e na tarde convivendo com uma calma que me tocou os dedos das mãos. Reli um pequeno caderno escrito em 2014. De lá, desta fronteira já distante, recuperei pedaços de registros vividos. As voltas dos ponteiros do relógio cansadas de girar silenciam. Os sons que surgem nascem de luzes distantes no céu.
O café quente e um pedaço de pão. Escurece rápido.
A nuvem negra pesada de tudo carrega até pesticidas.
Piove... piove.
A cidade se esconde em névoas.
E esta mão formiga diante do mundo
trabalha.
Espera um dia e outro:
a folha clara
o corpo vivo
e os olhos na sombra.
Um eco de memória
enquanto o sangue corre quente.
As raízes das árvores nos contam que
os seus dedos saltam obstáculos.
Palavras da noite
e insetos corriqueiros ágeis
despertam sonhos.
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