Diário feminino

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Leio, observo e penso.

Os gestos lentos acompanham as indagações. Tenho visto notícias da guerra imposta ao Irã pelos dois governos violentos que agem destruindo sem parar. Tenho visto poucas críticas circulando em relação à maneira ditatorial como agem os governantes americanos e israelenses. Os jornalistas internacionais parecem ter perdido parte da capacidade crítica, que sempre os orientou. Todos estão meio tontos ao presenciar a força do Irã ao reagir em legítima defesa conseguindo destruir uma parte de Israel. Eu soube que o irmão de Netanyahu foi morto. Há quem afirme que ele, também, morreu. Mas a notícia não se confirma de todo. Alguns continuam mentindo. E há ainda os indignados com os bombardeios em Israel. Reflito: depois de tudo que eles já destruíram, não dá pra sentir nenhuma indignação.  

Penso e escrevo.

Quando jovem desejava conhecer o país persa. Sempre soube que as cidades são cheias de belezas únicas e raras. Mas a vida caminhou com os estudos priorizando as viagens e nunca fui ao Irã. 

Vi recentemente as mulheres iranianas lamentando seus filhos mortos. Estavam de negro. Dançavam com as mãos elevadas. O corpo em movimentos giratórios.... E as lágrimas cobriam a cena inesperada. Em torno delas alguns homens batiam com a mão no peito. 

Agora,

em tempos triste vivemos. 

Farei 75 anos em breve. A alegria desta data tão forte segue comigo. Mas, a indignação participa de meus dias. 

Estou idosa. E nunca pensei escrever sobre a insanidade do mundo ocidental. Os EUA não são modelo de nada. Uma farsa os encobre há tempos.

Não me identifico com este pedaço do mundo americano, pois consigo ver a falta de humanidade que pregam. 

Felizmente, não todos.



Rio de março, 2026



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