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Diário fotográfico

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 As fotos são minhas. Recantos em detalhes ligeiros. Final de inverno de 2023.

Diário

A primavera se aproxima. Comprei pincéis e aquarelas. Cores fortes chegam perto. Tubos amarelos, azuis, verdes e vermelhos. De início, o traço. Corpos e formas.  O lápis em novos caminhos. Alegria, alegria. Gestos femininos. Da natureza morta e vasos vazios aos corpos de mulheres nuas ou quase. Rio, 31 de agosto de 2023.

Efêmero

Tudo é ligeiro A flexa em voo livre Em jogo na vida A escrita em deslocamento  As cartas que contam linhas de pensamento E recordações da infância: O riso e as ações mágicas  Brincadeiras mil O mais próximo é distante Bonecas guardadas nos armários  Jogos e enigmas A linguagem em movimento  O passo e o passado O mais guardado e o mais volúvel 

De resto

Há tanto a falar sobre os assuntos corriqueiros. 1. O campeonato de futebol feminino terminou com uma vitória das espanholas. Bravo. Mas, o assunto que resta em toda parte é o beijo na boca dado fora de lugar, sem dúvida nenhuma por um macho cheio de arrogância. Estranha postura para um dirigente. Quanta ganância! 2. Bem perto de mim, o que restou de um show nomeado do século foi a prisão em flagrante de um grupo de jovens e adolescentes que roubavam ou tentavam roubar os participantes do show na praia de Copacabana. Em torno de 500 jovens foram detidos. Dá pra acreditar? 3. A interminável guerra da Rússia com a Ucrânia se mistura na morte do líder dos Wagner. Bizarra situação deste sumiço acontecido em pleno ar? 4. Na política brasileira a condição de um ex-presidente alcança um tom grotesco. Sem comentários! De resto, tudo é passageiro (mesmo assuntos corriqueiros  ...) Segunda-feira, final de agosto de 2023.

Diário de domingo

A chuva cai do céu. Sinto falta das nuvens no azul. Nuvens me transportam. Hoje, o cinza presencia o silêncio dos vizinhos. A água molha tudo e os pensamentos se arrumam nas gavetas devagarinho. Entre bijuterias antigas e meias. Entre o pingo repetido do lado de fora. O olhar anota memórias de infância e adolescência.  Escrevo: A tarde de outros domingos transborda.  Ipanema. Soam os sinos da Igreja Nossa Senhora da Paz.  Passos rápidos. Um vestido estendido sobre a  vida. Vida de esquinas e olhares jovens. Um vento quente entre as folhas das árvores.  Somam-se os gestos e somos invadidos pelo  vento. O meu vestido levanta. Rio de final de agosto, 2023

Invernoverão

Anotações quentes: No Rio de Janeiro faz calor de verão.  Dentro de casa quase 30 graus. Nas ruas quase 40 graus.   (Sensação térmica de 36 graus.) Umidade baixíssima.  Continuo às voltas com arrumações.  Os vestidos de verão pulam dos armários. E as sandálias baixas bailam nos meus pés. Vários goles de água fresca procuro.  Descem pela boca seca.  O corpo todo pede água.  El Niño aquece as águas no Pacífico equatorial. O pensamento acompanha as notícias Brics. E a Senhora Dilma foi inocentada de todo. O Golpe comprovado: todas as mulheres do  mundo aguardam as desculpas dos Machos. Mas não só isso: ainda não sacudimos os passos de tantos desrespeitos. Há muito mais dramas embaixo do tapete... No canto escuro da noite quente o dia poderá emergir; com a frase certa na sílaba comprovada.  A nossa vida não é só o mar. Nem o mês que corre agora solto.

Um sonho

Uma menina de seis anos me indaga: O que é o tempo? Respondo rapidamente: O tempo é a linguagem em movimento. Ao acordar estranho a brevidade da resposta, na ponta da língua.  Sem subterfúgios.  *

Diário

A tarde cai aquecida. Notícias quentes e arrumações. Armário e prateleiras limpos. O mês de agosto surpreende. Leituras novas ou antigas se renovam e se multiplicam. A escrita corre nas brechas do dia. Os personagens nem sempre se renovam. Ao contrário, na política confirmam suas falcatruas.  O livro no arquivo do computador passa por revisões infindáveis. E, que devem entrar pela primavera.  Um corte. Um sinônimo.  Um recorte. Um intervalo. Mudança de respiração... (O título definido desde sempre!) Mas nas paredes do texto alguns quadros  mudam de lugar. Rio de inverno ainda, 2023

Domingo, domenica, dimanche

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                  No Jardim Botânico           Em Veneza, 2015 (fotos e notas cobriam os passos desta viagem)         Com o Zé Eduardo no Rio Com Marie Frisson no Parc Luxembourg, 2018                   Parque de Mantova onde sombras cobrem de luz as árvores. Aqui anotei páginas que nasciam vivas das histórias de meus antepassados. 2018 na Itália  Com Henri Deluy no Jardim Botânico, 2007  Em Assis, Itália 2016 Respirando o mundo de Francisco.          Tempos diversos com pessoas queridas, em fotos do Zé Eduardo 

Hoje é sábado

 Uma mulher  Quero o viver da folha escrita Rasgada, rasurada. Renovada Na pausa do olhar longo na sílaba que chora  onde a boca arde Para além de um dizer, a voz firme de nossos dias diz da visão aguda. Sofrida E que tanto vê  A explosão do mundo em chamas e em naufrágios  Os punhos soltos A lâmpada apagada * A mulher não cede no silêncio sóbrio      de teus olhos sérios  * A noite quente cresce  E se afoga em ventos No ventre da noite cresce A mulher escuta e sente O escuro, a inocência  O corpo da terra Os gemidos e os gritos Rio de agosto quente, 2023

Outono e inverno en voyage

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  No Jardim de Luxembourg                     Parc Montsouris em frente à Cité Universitaire.                        Chez nous Na Cité Universitaire dentro de nosso apt. No alto do Pompidou          À Paris em 2009, 2010 e 2011 e muito mais. Nota séria e multiplicada: Relembro um tempo rico de experiências. Mas, também, um tempo difícil: a doença e a morte de meu pai, de um primo e um tio se somaram de repente demais. Eu vivi um luto duro, inclusive com minha saúde que, também, precisou de cuidados grandes. Os livros e a escrita ajudaram, e sopraram luz. Compramos inúmeros livros, conhecemos e convivemos com poetas, ouvimos palestras e frequentamos, algumas vezes, bibliotecas fantásticas. Até mesmo a biblioteca do Pompidou; o incrível Beaubourg. A biblioteca em frente ao Panthéon, a magnífica biblioteca de Manuscritos - Jacques Doucet- me recebeu re...

Nota triste

Faleceu, ontem, aos 60 anos em Paris o poeta,  tradutor e romancista, Pierre Alferi. Filho de  Derrida, usava o sobrenome de sua avó materna. Somou na escrita e nas artes plásticas pois  também desenhava. Fez cinema inventivo e  música e poesia. Sentimos muito!

Um dia

Os passos dados dentro de casa mansos e, por vezes, mancos. Texturas de um dia ensolarado: asa de claro azul. A boca pede água. Os dedos escrevem nas teclas do celular bem rapidinho. Ele se prepara para escutar muito mais que o dito. Memória solar. Espaços construídos e compartidos. A casa branca ganha cores e vozes. Passos distintos. Escrevo à janela aberta. Diante do dia que vibra. Muitas vozes em tudo. Nomes e sobrenomes.  O esquecido e o silêncio são ouvidos. Os gestos guardados aos montes. Rio de agosto de 2023

Diário e leituras

Terminei, ontem, a leitura do livro A Judia Raquel de Francisca Senhorinha da Mota Diniz e A.A. Diniz. O livro participa da coleção Escritoras do Brasil, e foi editado pelo Senado Federal em 2020. Surpreendida com a leitura, recuperei um texto lido na minha adolescência.  Possivelmente alcançado nas estantes de meu vovô Lins, em Vitória.  Difícil firmar uma data para esta primeira leitura. Mas a emoção da releitura foi enorme. Assim, agradeço imensamente a quem me presenteou com este exemplar tão valioso, hoje, pra mim. A história cheia de mistério e sabedoria guarda nuances da escrita feminina de Francisca Senhorinha. Somada a uma coautora, sua filha Albertina, esta escrita parece fruto de pesquisas interessantes. São as cidades de Alepo, Jafa, Cesareia, um sultão do Egito, orações da tradição católica no século XIII entre tantas outras surpresas que nos alcançam na leitura. E, viajamos com a personagem Raquel até mesmo nas grafias variadas e explicadas nas notas de rodapé....

Branca toalha & muito mais

A toalha branca sobre a mesa. E os pés no frio chão.  Os pensamentos permanecem por perto. Os sonhos voam. * Os sem terra procuram se assentar, os com muita terra fecham os portões.  Imigrantes morrem nos mares durante travessias. Abismos azuis, verdes e negros. * A métrica perde  o passo. Os dedos amanhecem. * Enquanto os olhos miram o tempo enquanto... O Rio procura a primavera, 2023

Poesia no dia dos pais

Os pés de meu pai  Voaram de avião nos céus do Amazonas  Seguros no chão de embarcações navegaram Em rios ou mares do mundo Descalços andaram na casa de Ipanema ou de  Guarapari.  Festejavam o samba no Carnaval  E os mergulhos salgados no mar Na hora de amar, os pés de meu pai sorriam Assim como suas mãos, os pés de José eram  caridosos. Sempre firmes no chão  Junto aos de minha mãe Elza somaram Belos e sensíveis: Eu gostava de olhá-los na infância; Ainda lembro do desenho mágico dos dedos

Diário

Hoje é sábado. Cafés longos sobre a mesa. Um dia grande de leitura e descanso. Dia de deitar o corpo manso. Das memórias gordas de tudo. Cada dia nos chega uma vez só.  No fortuito circuito das luzes. O vento varre quase tudo.  Não demora muito e chega a noite. Redonda e azulada a lua brilha. Vem sempre junto às marés.  Nas cheias de agosto o gosto. Não nos detemos no passo do outro. Andamos nosso próprio rouco passo. Enquanto vozes e letras manhãs soam. Rio de agosto, 2023

Diário

Enquanto as articulações se acomodam e os músculos se fortalecem, a escrita ganha tempo e respira nos espaços. Os dedos tocam letras na velocidade conhecida. Um livro novo já estruturado na editora. E um outro se firmando texto neste agosto, entre os minutos do meu dia. O corpo agasalhado, protegido e delicado entre as brenhas e o mar anda distante das notícias internacionais. A tv desligada muda de lugar. Os quadros guardam nas paredes ângulos de novos olhares. Talvez a vida leve as histórias dos antepassados adiante, enquanto as leituras navegam em ondas de escritas femininas esquecidas dos cânones.  Mulheres escritoras me interessam, e leio sorridente estes textos revisitados. Séculos passados. A luta pelo voto, pelo respeito humano, e a voz feminina que nascia forte. Rio de agosto, 2023

Diário

Retomo, com alegria, a revisão de um livro ensaístico muito trabalhoso e pleno de pesquisas históricas. Personagens importantes me rodeiam na língua mãe. Impregnada pelo tempo da idade média, aprendo mais e mais sobre o feminino.  E viva a literatura! Rio de Janeiro e de agosto, 2023

Livro das areias circulando

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 Recebo com emoção a leitura de Allan Ratts, um jovem do Ceará e dedicado leitor. Agradeço! O livro foi lançado em 2012 pela Lumme, mas alguns o descobrem agora.