Celan lê Freud / Celan lit Freud
Encontrei na internet, recentemente, um texto escrito por
Jean Bollack que comenta versos de Paul Celan em uma análise densa, e os liga a
textos freudianos sobre a Guerra de 1914-1918.
Nuits de
gris, préconsciemment froides,
Noites de
cinza, préconscientemente frias,
Na noite há a presença de uma noite sem cor, que também se reporta
à “cinza” dos corpos incinerados. A materialidade da palavra carrega mais de um
sentido e – em um giro – conseguimos ler o que o nome tem a dizer.
A noção de passagem com nuances ínfimas – “o cinza sob o
cinza” – tanto quanto a palavra com sua materialidade precisam ser ditas e
reditas.
Ler... reler...
tresler...
Além do Princípio do
Prazer que estuda as
neuroses de guerra, onde Freud anunciava algo da “compulsão à repetição” se
afastando do “princípio do prazer”.
O horror vivido na Segunda Guerra, e o luto como o tom “cinza-sobre-cinza”
dão o sinal
Au-dessous de la conscience
(... Et pas de paix)
conforme o título deste poema de Celan
Abaixo da consciência
(... E sem paz)
que traduzimos livremente, embora fique martelando na mente
que os traumatismos da guerra sublinham a compulsão à repetição; “(... E sem
paz)”.
Bollack considera que Freud acompanha Celan, pois há nos versos
celanianos um redizer e uma re-escrita constante.
Agora,
Aproveito pra também dizer que a Guerra na Síria é uma
presença. Não conseguimos vê-la direito mas, lá, eles matam diariamente a
própria população que grita seu sofrimento ao mundo!
De um passo a outro,
indago: precisamos investir em armas bélicas no Brasil?
O relógio pulsa
A pulsão de morte
Situa-se no meio
Do horizonte da linguagem humana
A boca grita:
Leiam
Freud!
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