Quando ainda havia garça no canal



                                                 

(Silenciosa e rara)
de pé e em ângulo reto
a garça.

Anúncio de seu fim
nas margens do canal
longamente poluído.

Qualquer passante podia
vê-la - carne e lama.
Assim, come o sabão
ou o detergente
flutuante nas espumas.

Nada habitual
entre as águas do mar
por ali também transitam 
objetos estranhos.

Quando ainda havia graça no canal
o branco despontava
e buscava o peixe ligeiro
engolido de viés
na fome fugidia.
Quando ainda havia garça no canal...


                                                          Fotos de José Eduardo Barros

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