Crônica da cidade
Alto Leblon... à luz de
velas
Rio, 6 de maio de 2013
Ainda que a vida se apresente em nuances, quero crer que este
dia singular se descortinou a partir da tempestade de um outono e seguiu à luz
de velas como se fosse um tempo carregado de intervalos lentos em claro-escuro.
Ontem, na infância em Manaus, meu pai ligava o motor a óleo
diesel e a luz surgia rápido naquelas noites quentes. Mas, hoje, sem a presença
que garanta a luz, sinto-me entregue à obra do metro e ao governo que pensa
estar abrindo a cidade a novos rumos e, em movimento oposto, nos coloca diante
de buracos e obstáculos impensados para uma cidade grande já tão cheia de
questões.
Mas, a razão desta crônica, pouco iluminada, é denunciar a ganância
de nosso governo que está sempre interessado em eventos e mais eventos, e se mostra cego e com inúmeras dificuldades para dar conta das
muitas situações inesperadas que presenciamos com sustos mais inesperados
ainda, ou mesmo de forma traumática como tem sido visível a todos:
Atropelamentos
e mortes de ciclistas
Habituados à arte de pedalar a vida
No escuro de minha sala, acomodada junto a duas velas
brancas, confiro o meu desejo e escrevo para GRITAR a surpresa desta falta de
luz,
associando-a aos horrores que venho presenciando na nossa
cidade:
Bandidos
Em ônibus ou vans
Matam
Roubam
Estupram mulheres
Ninguém viu?
Ninguém VÊ?!
Nem sei o que dizer das horas
(estamos sem luz desde as 8h00 da
manhã e já são quase 18h00)!
Falta LUZ!
Repito Goethe.
“Luz, mais luz!”
em muitos sentidos.
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