Cartão postal (2)
Nas estradas
da Síria
e da Somália:
poeira e
pedras.
O vento
corta a pele.
Resseca. Aumenta
o calor do
corpo.
Inúmeros
corpos;
dezenas,
centenas.
Milhares.
Eles andam em
passadas graves
e avançam
mais uma cidade.
Um lugarejo
qualquer.
Perdidos. Fantasmas.
Os pés se
apoiam no tempo.
A história
conta as horas.
Um dia. Um
ano.
É o céu
quem dá de beber.
Desde onde?
A história
se repete
para
sempre.
- Os
teus filhos estão aqui?
Alguns
morrem no caminho.
Não nos
surpreendemos mais.
As nuvens
são ralas e raras.
(Antes, costumávamos
comer reunidos).
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