Poema da manhã
Prainha
As marés e o vento
as pedras molhadas de sal.
A mão do homem cresce:
a natureza sorri
Vozes antigas e lentas escuto
Palpita o peito de esperança
Rios e lagos alcançam a memória
Escuto pássaros
A chuva das lágrimas
exige construção e passa
Palavras abraçam o texto
Circuitos novos
As marés e o vento
As pedras molhadas de sal
Areias brancas e mornas
sob meus pés de menina
Escuto o sino da igreja
Nuances de chuva fina
Respinga lama na varanda da frente
Vapor d’água
Escuto vozes antigas e novas
O mar bate nas areias de veios azuis
e as raízes das castanheiras
pastam entre o vento e os barcos
Verão carioca, fevereiro de 2017
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