Um poema inédito, mais uma vez
CADERNO,
Deslizam em minhas mãos as linhas
desta manhã. Sou e não sou uma rosa. A luz ofusca. Recupero nas linhas verdes
do caderno – entre o branco dos intervalos – a caligrafia da cidade. Letras
informes. Alinhavo vogais. Alimento o direito de vagar nos pensamentos. O ar
penetra nas narinas e sopra um tule de vento: asas de um monólogo. Folhas ainda
úmidas escondem os lábios entreabertos do dia. A mão recebe o ritmo. A letra
abre e fecha a respiração.
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