Diário

Rio, 26.03.2020

Grande e sóbrio silêncio se estende.
Ar puro e pouca poeira dentro de casa.
Somos habitantes domésticos:
tempos de quarentena.
Escuto pássaros soltos em revoadas.
Flores dão-se a ver no verde da cena
e sombras se mostram nos muros a escrever.
Incompreensível e absoluto
o momento político traz estranhezas.
A água super povoada de cloro não tem mais cheiro.
Letras no poema recobrem as folhas e os abraços
Sejamos árvores dignas de silêncio e fé.



... e no meio do dia, leitor, que possamos construir o alimento a saborear
com paciência, e lavar bem as mãos com o sabão nosso de cada dia.


*

À noite,

Diluir as notícias com outras leituras
- receita doméstica -
encontrando o tom para as conversas mais leves
e, se possível, ouvindo música; a boa música de nosso tempo!

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