Diário

Rio, 18.05.2020

Um novo dia. E o mesmo "real" nos atordoando os minutos.
O fio da escrita alinha ideias em muitos planos.
Na claridade encontro a beleza possível para estes dias escuros.
Ontem troquei a manta da cama, e coloquei uma mais grossa.
Verde. Tecido leve e quente.
Minhas unhas crescem fortes sem dar a mínima atenção ao vírus.
Helicópteros sobrevoam os céus por aqui. Rápidos e estranhos.
Qual a razão destes voos em tempos de covid?
(jornalísticos ou policialescos?)

*

Na esfera azul o mundo continua a ser redondo. Muitas línguas me alimentam os passos.
A manhã soa sua amplitude de luz. Mergulho nas letras seguindo o movimento do pensar. Não sabemos nada ainda sobre "a luz no fim do túnel". Parece estar sendo anunciada antes da hora.
"Se aquietem" dizem os paraenses uns para os outros. 
O nosso tempo nos coloca em um dilema curioso. Precisamos regar todos os dias a paciência, e respeitar o próximo como nos ensinam os Evangelhos.
Não há nenhuma outra saída, por enquanto.
No azul infinito podemos descobrir maravilhas. Porém, o primeiro movimento será reaprender a olhar o horizonte! 


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