Diário

Rio, 1.07.2020

A madrugada guarda
a madrugada sonha
sonhos-sol

*

Enquanto a casa acorda
sombria e séria
o espanto abre os olhos
Denso dia

Enquanto as portas rangem
rápido é o passo
imenso é o gesto
Abraços dispersados

Enquanto ruídos acontecem
no elevador vazio
espaços-nuvem
Braços soltos

A casa acomoda os silêncios


*

As mãos em prece
lá no fundo da mata fechada
bem perto dos galhos grossos da árvore maior
Na floresta de formigueiros unidos
o índio pede ao fogo proteção
A água da chuva responde calma
Cai nos rios ao redor um perfume de flor

As mãos respiram o calor do fogo
o índio mais velho canta alto
a tribo dança em roda
Batem os pés no chão...
Um lamento corre nos corpos suados
Sopram fumaça pra cima
Cada dia há a hora da morte








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