Diário

Rio, 7.07.2020

Bem perto do mar


a água sobe e desce areias e espumas
os corpos presos dentro de casa

beira das calçadas de olhares estendidos
gaivotas planam ao vento na fria manhã

solidão imensa de ossos quietos
bocas fechadas e respiração curta

o verde dos montes se mistura
todas as árvores saem do silêncio

as pedras e os musgos sopram
o sol lança suas chamas nas areias

um punhado de gestos
e a tua face longe da tempestade


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