Diário

 Rio, 15.09.2020

 Cidades perdidas


Por um lado é esta cidade abandonada   

neste abandono que ocorre em vários níveis 

E ainda o país perdendo-se no abismo obsceno: 

desmandos e crueldades sem limite.


No dia a dia do teu olhar

de cada palavra dita ou percebida 

no silêncio de um dizer de coisas inocentes

sou eu mesma em um país de animais mortos


Incêndios demoníacos

abraçam planos traçados para fogos longos

Cobrem áreas desmedidas e se perdem

em caminhos contra a vida


*


É cruel demais. 

Perdemos a rota.

Navegamos no escuro.

Quase sem direção.

Sentimos o lixo. 


*


E era um país de tanto verde!

(onças pintadas e jacarés)





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