Diário

 Rio, 28.09.2020


Crônica do Dia


Tia Alda me telefonou pra conversar neste final de semana. Entre um assunto e outro foi 

contando alguma história do passado. Assim, tomei conhecimento que a primeira casa 

de vovô Lins também era vizinha do Palácio, na cidade alta. Aliás, bem ao lado, em uma 

rua estreitinha. E, lá, a entrada era por um portão que dava no jardim, onde ficava o balanço, 

grande e verde, que conheci pois ele viveu muitas décadas. 

Entre uma história e outra, tia Alda recuperou o porão da casa; um local mágico no qual 

ela gostava de brincar e descobrir tudo que ficava guardado por lá: panelas gastas, algumas 

ferragens, em geral as coisas descartadas pela família. Repetiu várias vezes, que entrava 

por um buraco porque o porão da casa velha tinha entradas por baixo da casa.

Às vezes, vovô contratava um carro de praça (como nomeavam os táxis naquela época), 

e o motorista, Sr. Eduardo, o levava para Santa Teresa ou outros lugares perto de Vitória, 

para visitar os clientes.

- Eu gostava muito de ir nestas viagens, que duravam um só dia! ela me explicou alegre.

Era tudo diferente...

A lembrança da babá Loide, a filha de índios e que vivia com a família desde sempre, 

foi recuperada de repente. Loide também sabia bordar e desfiar os sacos de pão, que 

existiam na época com suas franjas magníficas. 

- De tarde, nós sentávamos em volta de Loide e aprendíamos brincando a desfiar os sacos 

de pão. 

Era tudo diferente...


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