Diário

 Uma conversa entre mulheres

 

Foram nas flores azuis e verdes em fundo branco, no vestido que escolhi usar 

esta semana, que me reconheci na primavera mesmo dentro de casa. Não sei 

descrever as nuances das flores, mas as sinto tão perto de mim quando estou 

dentro deste vestido.

Outro dia, em conversas com Joana, tomei conhecimento das pinturas que 

desenhava com enorme alegria. São flores claras em meio às manchas 

desfocadas coloridas que nascem de seus traços breves em aquarelas. 

As lembranças das cores e das flores acompanham meus passos 

femininos desde cedo.

Algumas violetas nasceram nas janelas desta casa: violetas, violetas.

Uma haste branca e longa

surgiu também no vaso do chão: um lírio.

E antes ainda da primavera nasceram rosas pequeninas...

Talvez, eu consiga lançar luz em alguma memória antiga e possa escrever o 

vestido de minha mãe, naquela tarde de verão do ano de 1961, quando fiz 

10 anos. 

Colorido e florido. Justo com um decote em v que traduzia mistérios femininos 

guardados. 

Um sorriso farto iluminava a mesa de doces feitos por ela mesma - brigadeiros, 

docinhos de coco, etc,.

As flores em volta de todos estavam no jardim. Mas, o vestido verde de minha 

mãe era inundado de flores brancas pequeninas que nunca mais esqueci.

 

 

 

 

 

 

 

 

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