Diário

 Rio, 1.01.2021


O espaço se abre

e renascemos

de qualquer verde 

e da terra imensa 

à nossa frente.


No chão os pés saltam 

inúmeros e incalculáveis

e obscenos obstáculos.

Ensaio danças neste teto 

aberto de esperanças. 


*


Que palavra abrirá um caminho sem lágrimas, nestes dias difíceis

a cada passo que damos?


*


Com o calor misturado ao espanto diante de homens sem máscaras 

e sem escrúpulos, que palavra pode expressar o que mais tememos?


(Diante da fome, da morte e da dor de tantos 

que palavra - luz se fará sob nossos pés?)  


*

A boca sem saliva, 

a palavra ressecada e áspera

sulca no dia o mais intenso:

a verve de pedra e sal

entre ervas verdes

na insistência da memória.



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