Segunda-feira de carnaval, sem carnaval
1.
Durante a década de setenta, os bailes de carnaval do clube Siribeira em Guarapari
eram muito aguardados, enquanto as fantasias se faziam pelas nossas mãos. Às vezes,
nos enrolávamos em panos coloridos comprados na cidade mesmo, e costurávamos
nossos sarongues de um ombro só quase na hora do baile. Muitas flores coloridas de
pano ornavam nossos rostos risonhos no verão destes animados bailes carnavalescos.
Era uma cidade de muitos ventos. O clube na ponta do mar - entre as praias das
castanheiras e da areia preta -, solto sobre a pedra negra, vibrava de folia nas noites
quentes de carnaval.
Éramos muito jovens. Cantávamos até o alvorecer: marchinhas e sambas-enredos.
2.
Faz silêncio nas ruas do Rio, sem carnaval. Há muito vírus por aqui.
Não há música nem samba enredo neste fevereiro atípico demais.
Alguns mais atordoados bebem, bebem nas esquinas dos bares.
Rio, 15.02.2021
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