Diário, 31.07.2021
Corpo na lareira
O sol repousa entre nuvens e aquece
galhos de árvores e asas
de passarinhos na haste do tempo
Os pés dos homens na lareira
Não há trégua no frio intenso
que nos assombra os dias de inverno
No mar cheio do Recife
tubarões chegam perto
e atacam junto a orla do nordeste
Na praia da Piedade faz calor
mas o frio em Campos do Jordão
chega a 1 grau e arrepia até o silêncio
Que o sossego possa ser acalentado
depois que as sombras e os gritos
digam os desenhos dos desmandos
e a luta das geografias a se desenhar
no voo das águias
nas águas costeiras da madrugada
Os patos as garças atravessam invernos
antes de regressar e procriar
Sabores intensos perfumes
O corpo na lareira lê
o fruto do descanso aceso;
um livro a cada momento
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