Diário, 18.08.2021

 Meninas


Houve um tempo em que as meninas cresciam brincando de bonecas

e com cantigas de roda davam as mãos e rodavam saias risonhas.

As meninas de nosso país ainda brincam. Mas no Afeganistão ou

na Síria as meninas crescem sérias ou tristes.

Houve um tempo em que mentir era feio e ficávamos de castigo

se uma mentira, só uma vez, fosse dita. 

As mentiras agora proliferam ao vento e, até, participam da política.

Os tempos são outros assim como as velocidades e os medos. Não

temos mais medo de escuro, certamente. E nem o encontramos mais... 

As luzes das estrelas vibram longe há muitos anos-luz. 

E os néons participam das caminhadas.

Alguns homens não temem ser punidos por atos insanos ou perversos que 

praticam. Atravessam portas e leis nas sombras sem cerimonia.


Meninas do Afeganistão não sorriem mais

Olhos grandes abertos ao mundo miram um futuro bizarro


Nossos pés e nossas mãos assistem

Mulheres do mundo se movam!

 

Somos muitas:

negras, brancas, amarelas

índias, americanas, francesas

inglesas, africanas, afegãs

brasileiras, italianas, mestiças

emigrantes, imigrantes, 

rendadas ou nuas

Somos a raiz do mundo

e de um porvir à venir

ligeiro legère

com cantigas de ninar 

e brincadeiras muitas


Resistir!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em 11.09.2025

Nota triste