Diário,

 2 de agosto


Madrugada gelada 

O dia nasce límpido

Surgimos da noite de sonhos


Plantamos nossos pés devagar

na terra que devemos proteger

Com a voz somando-se às marés


que nos cercam e alimentam

a casa sempre limpa

sustenta o poema que nasce


*


Aqueles que partiram

deixaram-nos de repente


E ao longe no mar alto 

de nuvens brancas e gordas


a espuma o vento e as mãos

se despedem das cidades


Que alguém repita os nomes

bordados nas areias frias


onde ressoam versos

em línguas distintas 


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