Diário, hoje é sábado!
Poesia do agora
Chuvas sem trovões.
Palavras procuram dizer o opaco.
O dia finda e a noite abre enigmas.
Na horizontal ou na vertical o mais visível causa estranheza.
Aqui brilha o silêncio da respiração.
Crianças aguardam decisões vitais.
Inocentes crianças. Nem sempre guardadas pelos pais.
Crescem entre cuidados diversos
ou morrem no abandono.
Sopros de vida. Palpitações.
E o cheiro de descobertas grandes.
Nas praias os pés pequenos gostam de correr.
Todo poema volta a bater os pés.
Ondas grandes resistem. Ondas e nuvens.
Agora, do outro lado do oceano:
chuvas, nevascas, inundações.
Sílabas em repetição circulam.
O olhar se volta e encontra
aladas crianças inocentes.
Rio, 7 e 8 de janeiro de 2022
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