Rio de Janeiro, 24.04.2022

 Diário:


Daqui desta terra distante, estamos 

acompanhando com apreensão as eleições da 

França. Coisas estranhas acontecem.

Em Israel as pessoas se complicam mais uma 

vez. Os céus noturnos interrogam.


E na Ucrânia a guerra destrói até a esperança. 

Mais e mais mortos. Quase sem sonhos as 

crianças permanecem em choque.

Retomo a escrita de meus novos livros devagar.

Saboreio tudo: os movimentos dos braços 

a claridade rápida que respinga luz na janela 

entreaberta

o silêncio da manhã e o desejo de viajar. Viajar?

Um tempo de interrogações. 

Prefiro não ouvir os gritos. Sou só espanto.

Tudo me parece bem monstruoso

neste outono desordenado,


*

Notas matutinas:


Desde a adolescência escrevo nas margens dos livros. Escrevo à lápis. 

Adoto a ideia de minhas anotações servirem como um mapa das leituras feitas em tempos distintos. 

*

Quando escrevo, direto no computador, sigo e persisto em pesquisas paralelas. Às vezes,  copio trechos de livros antigos e raros que, depois, irão servir de norte nos assuntos que comentarei.

*

No café da manhã, envolvido em mel, somos atraídos por assuntos sérios.  Temas variados atravessam os ruídos de xícaras e pratos que nascem ali mesmo.

Ou os restos dos noticiários internacionais observados na noite anterior.

*

Depois, ligeiros movimentos e olhares se voltam às plantas.



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