A festa dos pés

 Ontem à noite,

os pés saborearam o escuro.

Em sossego guardei 

a oração entre os dedos das mãos.

Não dormi nem sonhei. 


Por algum tempo,

sobrevoei cidades e pessoas

entre o pensar e o sentir.


(Os pés não se despediram do corpo

e aquecidos agradeciam.)



Rio de outubro, 2022




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