À moda antiga

Um resto de café na xícara. 

Um resto.

Outro tanto no coador de pano. 

O perfume quente alimenta o gesto, 

e o pão torrado surge voando no prato

e vem pra mesa.

Todo dia bem igual. 

Envoltos em memórias leves nos alimentamos 

de letras e devaneios.



Em sonhos a memória gira.

Entre jardins de vozes e o mês 

corre distraída a minha mão. 

O tempo do verso não responde

nem as folhas mortas da árvore 

inclinada no espaço perto do muro.

A voz entre lençóis se arruma.

E o branco amassado do travesseiro respira

a música dos gestos. Dos gestos e das glicínias.





Rio de setembro (revisitado), 2023

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