Coisas invisíveis

No ângulo das coisas invisíveis,

no alvoroço da luz que parte rápido

este dezembro de calor nos trópicos

esquece depressa o horror da crueldade.

E entra em festas natalinas.


São dias sem deslumbramento.

Meu vestido longo resta dependurado.

Amassadas memórias de outros dias

perambulam entre gavetas e objetos espalhados

enquanto esqueço datas de aniversários.


Este verão quente em demasia rompe barreiras,

e não depõem as armas aqueles que lutam.

Mas, em nome de quê?

Um azul se espalha entre poeiras e clarões.

Tudo destruído. Braços estendidos. 


Sonhos se misturam aos sons das armas.

O mundo insano não desfaz sua crueldade.

Tocam sinos em algum lugar. Onde?

Quartos e camas se desmontam na história.

Eu não me engano


(e algumas almas ficam em suspensão!)

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