Hoje é sábado

Respirar com os insetos


Saborear o dia cinzento e frio

                                          deste sábado de agosto

e com o corpo coberto de agasalhos leves

escutar as palavras que brotam

como luz à margem da página.


Atravessar em silêncio de um lado a outro

letras e pontuações abertas

         para ao longo da mesa longa de olhares

deixar o gesto quase verbo

quase fruta como se fosse

um caminho obrigatório.


E respirar.


A chuva ruído na vidraça

acelera ondas de calor dentro de casa.

O ritmo em constante mudança

invade dedos de unhas claras.


Da boca escuto

o mais espesso:

uma loucura de mundo

chega perto

e um tremor nos pulsos

qual lâmpada acesa longe.


Na espaço desta página passeiam

e dizem ou não (versos) 

um poema de

borboletas silenciosas.







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