Mãos que resistem

A mão resiste à queda insistente.

A mão insiste e persiste.

            Paisagem sem pássaros.

Casas desmoronadas. Os ruídos partem.

As pedras contam a história dos dias.


Muitos restam sob os escombros.

Crianças retornam às cenas da destruição de quase tudo.

Uma menina encontra seus brinquedos.

A mãe olha a TV intacta na parede da sala.

Um pai retorna e diz:

Vamos reconstruir ...


A mão resiste.

Insiste em viver.

As palavras vermelhas permanecem conosco 

e o brinquedo da menina está no chão. 


Nada pode ser em vão. 

Nem o voo do pássaro que risca o céu. 

Nem a nossa incessante respiração. 



Rio de fevereiro, 2025

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