Era uma vez
Já velejei em mares diversos. No Brasil e no Caribe. Ondas altas banharam meus pés descalços e salgaram meus joelhos as espumas alvas de Angra ou Guarapari. Já dormi no veleiro com o corpo respingado de sal e vento. Acordei diante de um céu de tempestade escura nas águas de Niterói. Noite de lua cheia. Aprendi a subir a vela grande e dei nó de marinheiro quando foi preciso dar.
Fiz fotos de muitas cores em mares turquesa ou verde claro. Fotografei o infinito em espaços abertos de ilhas e corais. Brasileiros, franceses, noruegueses, suecos, africano hastafari partilharam línguas e mergulhos. Sorrisos e música. Década de oitenta.
Mas, não consigo imaginar um veleiro carregado de humanidade no mar que se aproxima de Gaza. Difícil pensar alimentos e medicamentos e jovens e adultos em risco, porque velejam com esperança e esperam cuidar de idosos e crianças. Sim, idosos e crianças sobreviventes de um genocídio, que os povos carregados de violência desejam exterminar. Século XXI.
O mar e o veleiro falam a língua viva.
Trafegam ondas de esperança.
Transportam um pouco de humanismo.
Eu estou por lá...
A bordo da vida.
Em junho de 2025
Palestina livre!
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