Poesia pra que te quero?
E me vejo lendo e relendo poemas.
Leio Cecília Meireles em Poemas italianos,
Global editora. 2017
Escrevo:
Rio de Janeiro
Este Rio grande demais,
cheio de gente colorida,
anda ligeiro. Corre e se abisma.
Nem parece saber
que mais um ano se aproxima do final.
Continua com pressa.
O tempo acumulando tudo:
muito suor e cansaço.
O calor bate na porta
e quer entrada franca.
Cigarras em algazarra.
Ônibus lotados e sinais fechados.
Chuva e sorrisos de lado.
Gente boa ou desconfiada.
(As saias dos vestidos andam frágeis.
Às vezes, curtas demais.)
Perfumes quentes saltam do mar.
Futebol ou vôlei nas areias.
Tem gente correndo bem cedinho.
Os pés e restos de asfalto.
Orla do mar de Copacabana.
Não engana ninguém.
Nuvens no alto do céu.
Abraços de gaivotas.
Vestido de azul ou lilás
o horizonte brinca e se esconde.
Rio de Janeiro e de novembro, 2025
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