Poesia do meio-dia
Neste instante o relógio aguarda as badaladas longas da manhã. Ponteiros se movem lentos. O mar comove-se em ondas de Inhansã. Primavera respingada de chuva a circular. O verão virá largo e desenfreado. Os pés descalços andando devagar. Chão frio na casa guardada de segredo. Ainda que histórias cruzem o tempo, ainda que a escrita seja uma porta, a letra, aquecida pelo sol a contento surgindo do nada, acorda gestos e se desvia do soneto abismada. Nesta primavera , quase novembro de 2024.