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Poesia do meio-dia

Neste instante o relógio aguarda  as badaladas longas da manhã. Ponteiros se movem lentos. O mar comove-se em ondas de Inhansã. Primavera respingada de chuva a circular. O verão virá largo e desenfreado.  Os pés descalços andando devagar. Chão frio na casa guardada de segredo.  Ainda que histórias cruzem o tempo, ainda que a escrita seja uma porta, a letra, aquecida pelo sol a contento surgindo do nada,  acorda gestos e se desvia  do soneto abismada.    Nesta primavera , quase novembro de 2024.

Livro da Rainha - Isabel de Portugal

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 Amigos, Muito em breve, estará circulando entre nós meu novo livro. Escrito nos últimos cinco anos, com muito suor e pesquisa, o Livro da Rainha Isabel de Portugal esperou o tempo da pandemia passar, e ainda esperou outros tempos difíceis passarem para poder nascer. Sinto uma alegria diferente desta vez.  E farei uma leitura de fragmentos do texto no dia do lançamento, em data ainda a ser confirmada, na pequena e charmosa livraria Lima Barreto. Viva a literatura! Ps É importante destacar que o livro virá com um caderno de fotos coloridas, em papel vergé, de registros, principalmente, feitos em Coimbra por José Eduardo Barros, parceiro na vida e incentivador de meus projetos literários. Projeto da editora 7letras na gráfica da Vozes.

Nota desta manhã de sábado

Nós todos, cidadãos do mundo, não suportamos mais o comportamento irracional do Governo de Israel. Basta! Não suportamos mais armas circulando como moedas, nem ataques bizarros com explicações banais. Estamos no século XXI, e os homens de nosso tempo não conseguem dialogar? O que acontecerá com os jovens que estão sendo enviados para as frentes de batalha? O psiquismo não é uma máquina de guerra. A humanidade está se perdendo... em falsos idealismos.  As guerras que estão acontecendo ao nosso redor são lutas por poder e ganância em excesso. Algumas batalhas já nascem perdidas desde seu início.  Aqui ou em outros países do mundo, alguns homens não suportam viver com suavidade. Os excessos estão plantados nas mentes dos homens que só pensam em dinheiro. Rio de Janeiro diante dos horrores de nosso tempo, 2024.

Alguns de nossos poetas partem: Pássaros de nuvens altas

Alguns poetas são enterrados no céu. Eles partem de maneira distinta e em momentos distintos. Escreveram e pensaram versos sem rima diante da lua cheia ou na cadeira vazia. Partem na fumaça do tempo. Nas sombras do sono.  Há um poeta na trilha de um pássaro  entre o verde e o mar. Poemas são nuvens. Poetas brotam no céu. Iluminam nosso passado para o amanhã.  O que importa mais nestas ausências sentidas? Nossas mãos contarão as lendas.  Os começos são relatos em versos. Um deles vestia linho e andava a pé.  O outro ria no ritmo do verso nascendo. Naqueles dias em que desfilavam letras  no papel, uma linha atrás da outra, seguindo as ondas do mar  as vozes sonhavam o alfabeto.  No grego ou no inglês  a festa da colheita acontecia. Pássaros piam o vento. Guardam arrepios. Poetas passam... Para Armando Freitas Filho  e Antônio Cícero  Nesta primavera rara de 2024.

Notícia triste

Partiu o poeta e filósofo Antônio Cícero! E nos deixa seus poemas, letras de música e uma cadeira vazia na Academia Brasileira de Letras! Estamos tristes...

Versos de Kiarostami

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Uma mulher de cabelos brancos observa as flores da cerejeira: Haveria chegado a primavera da minha  velhice?                        P .81

Versos da manhã

O tempo passará até o dia seguinte, e passará o presente, o nosso momento presente, e seguiremos nos protegendo sempre. Sem descuidar do corpo, com as  mãos e o pensamento, cuidaremos da alma. Não mais distante, e no momento seguinte, cuidaremos de nossos mortos.  Assim como vemos, agora, nas telas acesas,  a terra que se precipita  sobre eles - crianças ou idosos assassinados -, não é uma morada definitiva.  "Mortos iluminam a noite das borboletas," e costumam ditar a paz. Para Mahmud Darwich * Sem título  Meu poema voa para fora de meu país.  A porta aberta é diante o mar, e o céu  e a brisa azulada andam ao lado. Quem chora do outro lado mundo? Ou sob os escombros? A Costa oriental do mediterrâneo está em chamas. Pássaros navegam ao redor.  Os caminhos se fecham... A ausência de árvores acontece. Assim como a comida desaparece. A falta é um senhor absoluto e os gritos soprados na dor atravessam a história.         ...

Versos na noite

Do livro A s cicatrizes do Atlas  do poeta Tahar Ben Jelloun: *** Minha pátria é um rosto um luar essencial uma fonte de manancial vivo É uma mão emocionada que aguarda o crepúsculo  para pousar sobre meus ombros (...) É um corpo de tormentos precioso como um tufo de raízes  vizinho da terra quente É um poema gerado pela ausência  um país por nascer à margem do tempo e do exílio depois de um sono profundo (...) Resta o poema para o luto tardio de uma pátria que não tem mais rosto. Tânger, 4 de junho de 1979.

Hoje é sabado

E eles matam, matam, matam. E, depois, mentem, mentem, mentem. Mas quem acredita? A máquina de guerra não para. * Bárbaros de uniformes inundam nossas vidas de cadáveres. Um deserto de vida. Tingem tudo de dor. * Nossos olhos vivem corrompidos.  Explosões e fumaças. Líbano. Líbano. Depois de Gaza. Qual será o próximo passo? A cólera é louca.

Cortinas na tarde

Abertas respiram perto da porta  as cortinas de linho branco. Sustentam um final de dia. Em ângulo oblíquo raios de luz fogem de acordo com o corpo que cai.  Confundem-se vozes e música. Ainda buscando os sonhos de versos e povos vivos, de gente que consegue dormir, sento-me perto da orquídea lilás e em vão procuro os mais distantes dias,  quando portas e janelas abertas sonhavam sem medo. E deitávamos tranquilos nos sonhos da tarde. Rio de primavera, 2023.

Outubro rosa

No meu seio direito nasceu  uma meia-lua. Bem leve e rosada caminha comigo, e em silêncio é festejada. Com os olhos não choro este tempo em suspensão.  Filho da solidão, um pouco triste. Lendo e relendo o mundo aprecio até mesmo a ilusão dos dias. As flores que nascem agora são quase aparições.  O arco-íris no céu claro,  a nuvem cor-de-rosa e a chuva que corre entre os dedos.                               Para minha mãe  Rio de outubro, 2024

Domingo a sonhar

Sonhos dependurados no varal. Em arames: pássaros,  signos e significantes. Ao lado da xícara de café  argumentos sãos. A música dos dedos teclam. Uma colher de mel                             no céu      da boca. (O dia inteiro de revisão.)

Onde estão as crianças de Gaza?

Morrem milhares de crianças  em Gaza. E desaparecem  outras tantas. Embrulhadas em ruínas, atravessadas por balas de fuzis, as crianças partem  subitamente. Onde estão as vozes  das crianças de Gaza? O que nos contam? No mar ou nas areias não estão mais. Soam longe, longe de nós o lamento ou o riso de milhares de crianças de Gaza. Quem chora a morte  das crianças que partem? Um pássaro passa em silêncio.  O mar reflete o azul da ausência. 

Infância

O piano toca longe. Um teclado de afetos. Não recordo tudo mas alguns versos. A inocência de flores de acácia  e o pé de pitanga vermelhinho. Alguns mucuins na grama cortada. A mulher nascendo devagar. O leite de minha mãe alimentou muitos. As flores do jambeiro bordavam um tapete e a menina crescia junto aos irmãos.  Piano negro de teclas alvas  nos dedos da menina moviam o poema. As estações recomeçavam. Verão, outra vez verão.  A mulher nascendo devagar. Rio de outubro, 2024.

Piedade

E quisera encontrar um refúgio  onde o homem com ele mesmo, finalmente, firmasse um exílio.  Os nomes do silêncio soando a suavidade. Os lamentos sendo calados. Os fantasmas partindo. E o vento guardando vozes descartasse a morte. Quisera sonhar: bondade e piedade. Rio de outros tempos, 2024. * Quem sabe as folhas possam trazer de volta as auroras mais puras? Olhos cansados da espera. Quando os pés saboreiam outras idades, minhas emoções crescem. * O corpo vivo da vida vivida segreda a alegria e se alimenta de amor.

Palavras do dia

É indecente defender a compra de armas bélicas de Israel. Indecente!

Sem palavras

Há um ano assistimos o horror se derramar em Gaza. Agora, o mesmo horror começou a acontecer no Líbano. Invasões e mortes; desmonte de cidades, a destruição de tudo está sendo realizada pelo governo de Israel.  A explicação dada por eles, que organizam e participam do exército israelense, para seus atos destrutivos em função da invasão do Hamas em seu território que ocorreu em um único dia, em 7 de outubro de 2023, não funciona para um tal nivel de atrocidades. Não se trata de medir quem tem direito ou não a se vingar ou invadir, quando o assunto é matar todos e destruir tudo.  A questão é grave demais em muitos níveis, e não se explica em uma justificativa tão simples quanto monstruosa. Ficamos sem palavras diante destes massacres! Um horror sem precedentes se desenrola um dia atrás do outro.  Rio em um cenário de inverdades no mundo, 2024.

Repito o jornal l'Humanité de Paris

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"A Paz não é uma utopia" A pintura "árvore seca no azul" é minha.

Domingo de responsabilidade

Todos contra a barbárie da Extrema-Direita!

Soou o sábado

Um entre outros tantos sábados.  Ali a palavra soou clara. A lâmpada do dia acesa e o espaço da manhã acordando. Descobrimos o olhar dentro de um espaço  onde a terra do vaso caiu em grãos, e sob o mármore branco da mesa encontramos nossos dedos ágeis. Ali perto do feixe de luz a parede acendeu vozes que não se misturaram. * Na noite a mulher de traços e gostos brandos deixa passar pássaros soltos.      Rio de primavera, 2024.